Uma das vertentes fundamentais da obra de Nuno Cera, em fotografia e vídeo, é a compreensão da arquitetura e do urbanismo modernista e contemporâneo. Os seus trabalhos constituem um corpo de reflexão importante para a arquitetura portuguesa, percorrendo âmbitos e geografias diversas, desde o complexo industrial e portuário de Sines ao Hotel do Mar, em Sesimbra. O espaço arquitetónico ou a cidade, na sua componente histórica, simbólica e sociopolítica têm sido matérias de investigação, transformadas em instalações vídeo que promovem o diálogo sobre complexos e edifícios arquitetónicos diversos, mas de algum modo relacionados. É o caso das instalações-vídeo em três canais Sinfonia do Desconhecido I e Sinfonia do Desconhecido II que são concebidas como “sinfonias visuais”, com a colaboração dos críticos e historiadores da arquitetura, Susana Ventura, Joaquim Moreno e Mirko Zardini. A obra Sinfonia do Desconhecido II é um bom exemplo da construção artística de Nuno Cera neste domínio e coloca em diálogo três edifícios culturais, a “Torre do Tombo”, de Arsénio Cordeiro, 1987-1990, em Lisboa, o campus universitário “Collegio del Colle” de Giancarlo De Carlo, 1962-1965, em Urbino, Itália e a “Cidade da Cultura de Galicia”, de Peter Eisenman, 2001, em Santiago de Compostela, Espanha. Constitui uma reflexão sobre três polos arquitetónicos reformuladores de novas políticas culturais e de reafirmação urbanística para cada um dos seus contextos geográficos. [CAAC 2022]