Pedro Morais estudou nas Escolas de Belas Artes de Lisboa e Paris. Viveu na capital francesa entre 1965 e 1977, onde, em 1975-76, espalhou, com ajuda de amigos, num percurso rigorosamente calculado, as cinzas dos trabalhos feitos até então. Em Lisboa, na Escola António Arroio, criou o Atelier Livre, que funcionaria entre 1979 e 1994 como um espaço de ensino radicalmente diferente, onde os alunos eram estimulados a criar o seu próprio caminho sem serem dirigidos e que deixou marcas em todos os que por lá passaram. A filosofia Zen, a poesia japonesa, Marcel Duchamp e Raymond Roussel são algumas das suas referências que partilhava com amigos como Lourdes Castro e Manuel Zimbro. Os seus trabalhos eram muitas vezes efémeros, só existindo num tempo e num lugar. Os trabalhos perenes obedecem a uma lógica própria concebida demoradamente e com instruções pormenorizadas. O artista não tinha pressa em expor. As obras de Pedro Morais são de uma enorme minúcia, com uma planificação rigorosa e uma delicadeza extrema que fala aos cinco sentidos. É o caso desta obra, na qual se atravessa por uma porta para se ficar envolvido no escuro e depois, através de um jogo ótico, se observar, depois de o olhar se habituar à escuridão, a luz tímida e frágil de uma chama que paira e nos interpela. É um momento de suspensão e de magia, este que o artista nos oferece. [CAAC 2022]