Ruy Leitão desenvolveu, no seu curto percurso, uma linguagem próxima da arte pop, recorrendo a sínteses gráficas em desenhos, geralmente, de pequena escala e com materiais utilizados na infância, como as canetas de feltro. Neste desenho de 1967, e nos seus outros trabalhos que integram a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, também datados do mesmo ano, é notório um sentido de posse do vazio, pela gradual materialização das superfícies lisas. Preenchidas com padrões decorativos que vão cobrindo a totalidade de um chapéu medieval, de um barco de papel ou de todo o campo visual, as superfícies adquirem uma densidade que resulta na volumetria e nomeação dos objetos. Tendo a sua génese em remotas fantasias de cariz infantil, a ordem do mundo acaba por pertencer ao domínio estrito das miragens, edificadas na ínfima escala humana. [CAAC 2022]
Exposições coletivas
2023: NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «ALIEN DREAMS» in NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, julho de 2023, cit. p. 16, 17, rep. p. 92, 93.