Esta mala acompanhou Armando Azevedo nas suas performances desde os anos de 1970 até ao fim da sua vida. A montagem de fotografias fotocopiadas que reveste os dois lados do objeto foi concebida a partir do registo fotográfico de uma performance, realizada e interpretada pelo próprio artista no Museu de Arte Moderna de Paris, em 1980 (na secção Animation – Recherche – Confrontation, a convite de Jean-Jacques Lebel). Uma mala, cujo conteúdo variava de acordo com os objetos exigidos por cada ação, mas cuja densidade residia, sobretudo, na sua superfície, uma permanência do que se toma por efémero, uma acumulação dos jogos, implícitos nos diferentes atos. As vendas transparentes com diferentes registos de cores, imagens ou letras, que servem para se ver através e para serem vistas. As rosas artificiais. Rosas que são rosas e outras que não, como ia dizendo em performance: “Esta rosa não é rosa, deitando fora as rosas que não o são… “. Ou a luz, incidindo sob a sua cabeça, como se de um mineiro tratasse, mas usada no contexto de performance, num púlpito muito elevado da Casa das Caldeiras em Coimbra, numa espécie de homilia (profana?) que apoteoticamente terminava disparando pistolas de bolas de sabão. [CAAC 2023]
artista
Armando Azevedo
biografia
Minho, Portugal, 1946 - Coimbra, Portugal, 2020
título
Mala das performances de Armando Azevedo, 197(?)
inventário
SC 1917
proprietário
Coleção de Arte Contemporânea do Estado
categoria
Instalação
técnica
Colagem de fotografias/fotocópias sobre mala de viagem
incorporação
Aquisição 2023 (Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea 2023-2024)
descrição