Imersa e dependente dos afetos produzidos pelas lógicas do consumo, a prática artística de Bruno Zhu cruza episódios íntimos, idas às compras e o tédio do quotidiano, criando um corpo de trabalho intenso, simultaneamente pessoal e despersonalizado, que põe a nu o valor simbólico, político, social e económico dos objetos que nos rodeiam, ao mesmo tempo que desenvolve uma reflexão tão emotiva, quanto indiferente e apática sobre o lugar que ocupa no mundo. Recorrendo aos códigos, estratégias e materialidades da indústria da moda e, mais especificamente, do pronto-a-vestir e da fast fashion, Zhu cria objetos que vivem nos interstícios da reprodução e alteração ilimitadas, sendo, no entanto, e apesar disso, fundamentalmente únicos e, como tal, infinitamente valiosos. É nesta tensão recorrente entre categorizações e raciocínios binários e que existe para além de qualquer possibilidade efetiva de resolução, que a prática de Zhu tem vindo a inscrever-se de forma sólida, recusando explicitamente dialéticas resultantes do edifício modernista e projetando-se de maneira irreversível nos fluxos contraditórios do capitalismo global. Esta peça, desenvolvida especificamente para a edição de 2019 da Ano Zero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, vem reforçar a presença de Zhu na coleção, assim demonstrando de forma clara a importância deste jovem artista no panorama da arte contemporânea nacional. [CAAC 2023]
Exposições coletivas
2024: JARRA HUMANA: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Portugal
Bibliografia
Francisca Portugal, «HUMANO-COISA» in JARRA HUMANA: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, outubro de 2024, cit. p. 11, rep. p. 28-29, 77.