Ernesto de Sousa foi uma personalidade multifacetada com um papel de enorme relevância na arte portuguesa, desde a década de 1940 até ao final da década de 1980. Teve um singular contributo como curador, teórico, historiador e artista para a definição da neo-vanguarda portuguesa, e continua a influenciar gerações mais jovens de artistas. Enquanto artista, Ernesto de Sousa é responsável pela criação de obras mixed media, conceito que, na década de sessenta, se torna crucial para o seu pensamento e prática artística de uma arte total e multidisciplinar. A obra Almada, Um Nome de Guerra é uma das mais importantes e históricas da arte portuguesa por diversas razões: constitui a obra mixed media mais complexa e significativa no percurso do autor e, no âmbito da neo-vanguarda portuguesa, é um tributo a Almada Negreiros enquanto representante da vanguarda modernista e um exemplo de transição geracional na arte portuguesa; na produção da obra, foram incluídas as formas artísticas que caracterizaram aquele período, como o filme, a projeção de diapositivos, música experimental, cartazes e performance, tornando-a um exemplo único em Portugal desta abordagem e entendimento multidisciplinar da arte. A obra possui, para além de uma ampla qualidade e singularidade artística, uma notoriedade histórica. [CAAC 2023]