Jorge Molder é um dos principais protagonistas da fotografia contemporânea. Tendo contribuído, desde o final da década de 1970, para a afirmação da fotografia no meio artístico português, a sua trajetória está indelevelmente marcada pela realização de trabalhos a preto-e-branco, desenvolvidos em série e através de processos de autorrepresentação. Esta condição, marcante do seu percurso singular, é também acompanhada pela recorrente presença de referências culturais que afloram através do seu imaginário fotográfico. No seu trabalho não existe, contudo, abordagens a conteúdos determinados nem específicos, mas sobretudo evocações de cenários, atmosferas e projeções, sejam elas de natureza filosófica, literária ou cinematográfica. Esta obra da série Joseph Conrad, de 1990, é exemplo dessa prática. Nela encontramos um conjunto de cenas misteriosas, que relacionam espaços escuros e adereços inusitados, e presenças subjetivas que têm o poder de envolver o espectador numa narrativa ficcional. [CAAC 2023]