Numa conjugação singular de simplicidade e complexidade, o trabalho de António Júlio Duarte destaca-se pela forma como explora os conceitos de espaço, identidade e transitoriedade. A sua profunda sensibilidade e empatia face aos objetos e à impermanência – a lembrar o mono-no-aware japonês – transcende a mera captação de imagem e constrói narrativas implícitas em cada fotografia. A série WHITE NOISE, da qual esta fotografia faz parte, retrata os casinos de Macau, um dos principais destinos internacionais do jogo. Nestas composições, onde os casinos surgem como espaços simultaneamente estérires e brilhantes e o dinheiro se imiscui, de forma mais ou menos subtil, como personagem omnipresente, predomina o uso do flash. Com uma paleta de cores cuidadosamente selecionada e uma composição meticulosa, destaca-se a ausência deliberada de figuras humanas ou de animais, o que intensifica a relação simbiótica entre o lugar e o tempo e sugere uma leitura para a qual concorrem simultaneamente o íntimo e o universal. [CAAC 2024]
Exposições individuais
2017: White Noise, Quartel da Arte Contemporânea de Abrantes, Portugal
Exposições coletivas
2025: SOMBRA DUPLA: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Arte Contemporânea de Coimbra, Portugal