Seja através da escrita, do filme ou da instalação, a obra de Isadora Neves Marques apresenta-se como um compromisso com a ficção especulativa enquanto ferramenta para lidar com questões atuais e urgentes que, para a artista, se materializam frequentemente em temáticas ligadas a direitos reprodutivos queer, às possibilidades e aos limites do artificial e à definição do corpo humano. Neves Marques é fluente nos códigos da ficção científica, tanto as suas possibilidades críticas, como os seus pontos cegos, de um modo que lhe permite falar sobre afetos, biologia, reprodução, tecnologia e política de um ponto de vista tanto biográfico quanto ficcional. Em The Early Death of Sigmund Freud (2021), uma narrativa onde nanobots são enviados para o passado com o objetivo de eliminar Sigmund Freud antes de este ter tempo de desenvolver a psicanálise, a artista ensaia um mundo alternativo em que a construção do desejo e do desenvolvimento sexual e de género não foram sequestrados, normalizados e patologizados pelas ficções coloniais de um homem branco, heterossexual, europeu nos finais do século XIX. [CAAC 2024]
Exposições individuais
2021: Corpos Medievais, Galeria do Torreão Nascente – Galerias Municipais de Lisboa, Portugal
Exposições coletivas
2023: Surreal Futures, Max Ernst Museum, Brühl, Alemanha