Fala Mariam é uma pintora de reconhecido prestígio no panorama artístico português contemporâneo. Desde os meados da década de 1980, Fala Mariam tem vindo a desenvolver uma obra marcada por uma constância formal e um aprofundamento progressivo do seu discurso pictórico. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian logo no início da sua carreira, tendo exposto individualmente, já em 1992, numa mostra temporária da Gulbenkian que permitiu ver as suas obras em tinta-da-china sobre papel (1986-88) e acrílico sobre tela (1989-1991). Ao longo dos anos, recebeu prémios relevantes, participou em exposições institucionais de relevo (Fundação Mário Soares, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Coleção Berardo, etc.) e integrou coleções públicas e privadas nacionais e estrangeiras. A sua linguagem pictórica é frequentemente descrita como uma apropriação sensível do abstrato – ou de uma “figuração abstrata” – em que se combina memória, cor, luz e sombra, transparência e ocultamento. O crítico José-Augusto França caracteriza o seu trabalho como “pintura-pintura”, o quadro que se afirma por si, o quadro que se explica por si, numa gramática própria, mais próxima da poesia do que de enunciados literais. A sua pintura pede contemplação: não se impõe imediatamente, mas vai revelando camadas, planos, transparências. Há nela um diálogo entre o que se vê e o que se pressente, entre a forma e o sentido, e também entre o instante efémero e a duração.
A obra the swimmer (2009) demonstra uma faceta importante da obra de Fala Mariam, particularmente no que diz respeito a momentos de transição ou de novas formulações estéticas, explorando nuances de movimento, corpo, luz ou água. Fala Mariam trabalha com uma intensidade e exigência formais que se manifestam no uso de transparências, harmonia cromática, camadas pictóricas e em construções visuais que desafiam o espectador a entrar num processo de descobrimento do que está visível e do que está latente. Estas obras contêm os elementos típicos do seu estilo – profundidade, luz, sombra, geometricidade ou organicidade, articulação entre figuração e abstração -, e são representativas de uma artista contemporânea portuguesa com voz própria. [CAAC 2025]