artista
Fernando Lemos
biografia
Lisboa, Portugal, 1926 - São Paulo, Brasil, 2019
título
Criança aluna não vai sozinha, 1963
obra
Criança aluna não vai sozinha
inventário
SC 3314
proprietário
Coleção de Arte Contemporânea do Estado
categoria
Fotografia
técnica
Prova de gelatina e sais de prata sobre papel de algodão
dimensões
50 x 50 cm
incorporação
Aquisição 2025 (Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea 2025-2026)
descrição

Fernando Lemos foi um artista que construiu uma obra singular entre Portugal e o Brasil, os dois países que marcaram o seu percurso. Em Portugal, ficou sobretudo associado à fotografia de cariz surrealista, realizada entre 1949 e 1952, apenas redescoberta e valorizada após a Revolução de Abril. No Brasil, onde se exilou voluntariamente em 1953, desenvolveu um trabalho que lhe trouxe maior reconhecimento, marcado pelo diálogo entre a pintura, o desenho, o design, a cenografia, a fotografia e a poesia, numa prática multidisciplinar que sempre recusou classificações rígidas. A série de fotografias que realizou em 1963 no Japão resultou da viagem realizada com uma bolsa de investigação concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1962, que permitiu a Fernando Lemos estudar durante seis meses a caligrafia e a arte japonesa. Regressou posteriormente ao Japão, em 1977, para uma segunda visita de trabalho com o Museu Namban, em Nagasáqui. Este conjunto de quatro fotografias é particularmente relevante no percurso multidisciplinar de Fernando Lemos, pois contempla a influência do pensamento e da cultura orientais na sua prática artística. Realizadas em Quioto e Kobe, distinguem-se pela composição e pela variação de escalas ensaiadas com o recurso à figura humana. Num dos casos, a omnipresença do tronco distorcido de uma árvore em primeiro plano, símbolo de ancestralidade, sobrepõe-se à passagem de duas figuras femininas na rua. Noutra fotografia, o chão preenche parte do enquadramento, revelando na parte superior da imagem, uma fila de estudantes com uniformes escolares, captadas de costas, em fila indiana, no seu percurso habitual. O desequilíbrio formal da composição acentua o vazio, a distância e afastamento formal com o país que tanto o marcou. Por fim, o retrato feminino desta série é o da guia e tradutora que acompanhou Fernando Lemos e a sua mulher durante a estadia no Japão. [CAAC 2025]