Apoiado num imaginário que detém uma temporalidade vincada, as obras de Sérgio Carronha desenvolvem-se no cruzamento da escultura com o desenho, celebrando factos e elementos que buscam uma proximidade à cultura da terra, aos ciclos da natureza e a uma espiritualidade ancestral. Manuseando a pedra e a cerâmica, os trabalhos reclamam proximidade a achados arqueológicos e emergem, tendencialmente, como arquétipos. As obras surgem, de forma instintiva, na relação direta entre o corpo do artista e o entendimento do material, colhido em percursos específicos pela natureza. Paradoxalmente, de modo poético, a especificidade dos elementos revela a transversalidade daquilo que nos une. As obras Demonioz (2022), Exaustor (2025) e Porta (2025) revelam o como se trabalha a relação entre a delicadeza e a perenidade. Nelas, afirma-se uma inquietude na estranheza do que é reconhecível. [CAAC 2025]