artista
António Areal
biografia
Porto, Portugal, 1934 - Lisboa, Portugal, 1978
título
Sem título, 1968
obra
Sem título
inventário
SC 35
proprietário
Coleção de Arte Contemporânea do Estado (em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990)
categoria
Desenho
técnica
Técnica mista sobre papel
dimensões
60,5 x 90,5 cm
descrição

Artista autodidacta, António Areal inicia a sua trajectória na década de cinquenta, desenvolvendo o seu trabalho nos campos do desenho, pintura e escultura, numa prática assente em referências estéticas heterogéneas. Entre 1953 e 1958 utiliza o claro-escuro e a indefinição dos objectos e da paisagem, em desenhos de carácter onírico e visionário com patente influência do surrealismo, que começara a impor-se em Portugal na segunda metade dos anos quarenta, influenciando vários artistas emergentes da década seguinte. Em obras posteriores, da fase 1961-1963, António Areal desenvolveu práticas de pintura informalista, com uma matriz gestual. Após 1964, o artista produziu composições pictóricas de cariz neofigurativo, que refere como «figuração abstracta» em nota à superação da polémica nacional entre figurativos e abstractos e entre surrealistas e neo-realistas, dedicando-se também à construção de objectos tridimensionais, pintados, onde se torna patente a atracção pelo uso das técnicas de assemblage e colagem com inscrições pictóricas de formas geométricas estilizadas. Interessando-se por abordagens e manifestações empenhadas na ideia de dessacralizar a arte, apresenta objectos de madeira, caixas com assemblages e cubos pintados e desenhados, em Junho de 1964, na Galeria Divulgação, atribuindo a razão da sua viragem da pintura para a escultura ao lado inclusivo desta, por absorver técnicas e procedimentos pictóricos, a linearidade do desenho e a tridimensionalidade. Nessa exposição é divulgada uma folha com um texto seu, intitulado «Quem há-de ser contemporâneo», onde reage criticamente ao conservadorismo e ao provincianismo do panorama artístico português. A conjugação da actividade artística com uma escrita de intervenção foi, de resto, outra marca forte do seu percurso. Dominante na sua produção artística é a presença do círculo/alvo pintado que, tal como as formas cúbicas, são recorrentes na obra de António Areal, surgindo em variações, na forma de círculos negros, concêntricos, esferas, discos e alvos de natureza gráfica, como acontece em desenhos e pinturas destes mesmos anos e posteriores. [Sandra Vieira Jürgens]