O trabalho artístico de Lourdes Castro destaca-se por uma delicadeza quase transparente, visível tanto na forma física das suas peças como na mensagem poética que transmitem. Esta obra é exemplificativa de uma fase em que a artista começou a substituir o objetualismo reciclado que marcou os seus primeiros trabalhos por uma exploração estética da sombra que vai marcar o seu trabalho artístico nas décadas de 1960 e 1970. A simplicidade radical desta obra convida o espetador a preencher o vazio com a sua própria imaginação. Embora as figuras pareçam estar ausentes, o seu contorno evoca uma enorme intimidade e um sentido de permanência. É um retrato sem rosto, mas que, numa linha contínua e fluída, é capaz de evocar no seu silêncio tudo aquilo que está ausente.