Nascido em Lourenço Marques (atual Maputo), em 1938, Ângelo de Sousa veio viver para Portugal aos 17 anos e fixou-se no Porto em 1955, onde cursou estudos de pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A atividade artística de Ângelo de Sousa no domínio da pintura e do desenho, caracterizou-se inicialmente por trabalhos em cores e granulações térreas e arenosas, que apresentavam manchas telúricas e decorativas. Feitas a partir de variações de naturezas mortas, pontes, janelas, fontes, árvores, cavalos, plantas, flores, estas obras manifestavam um carácter diarístico e a influência da pintura de Dubuffet e de Klee, também da arte da Oceânia e de raiz africana que, segundo afirmou em entrevista, só veio a conhecer na Europa. Pouco a pouco, mas sobretudo na passagem da década de sessenta para setenta, foi depurando o seu discurso cromático e formal, como exemplifica a homogeneidade monocromática desta obra de pintura que apresenta efeitos de desenho geométrico, sendo cortada por linhas finas que sugerem volumetria. Sem uma narrativa ou tema de enunciação, orienta-se para um trabalho de experimentação ao nível da abstração que desenvolveu com muita consistência ao longo da sua atividade artística. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2025: PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal