Ao longo das últimas quatro décadas, Jorge Molder afirmou com persistência, rigor e controlo, uma idiossincrasia produzida com evidente singularidade em torno da ideia de «auto-representação», de onde sobressai a lógica de uma «dialética do duplo» — da personalidade ou das formas —, entre o «autorretrato» e a especulação das personagens interpretadas em cada série, num exercício sistemático que apoia uma longa caminhada com evidente capacidade de renovação. Tal como esta obra que integra a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a personagem que se repercute nas imagens encenadas de Jorge Molder, a partir da repetição sempre metamorfoseada do seu aparecer, replica uma espécie de infindável multiplicidade do referente. A repetição da presença figural, reconhecível porque identificada no regular aparecer do mesmo modelo, mantém todavia ativo o exercício e, simultaneamente, a consciência crescente da «dobra», esse conceito da significação indiscernível que torna barroco, pela elevação do jogo na identidade das formas repetidas, o prolongamento desse aparecer familiar e reificado como o eterno retorno, afinal, de uma memória difusa, mas constante. [David Santos]
Exposições individuais
2008: De todas as formas e feitios, Galeria Pedro Oliveira, Porto, Portugal
Exposições coletivas
2023: NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «ALIEN DREAMS» in NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, julho de 2023, cit. p. 16, rep. p. 69.