Nesta obra de 1998, João Penalva explora as fronteiras porosas entre a realidade e a ficção, questionando os conceitos de originalidade e identidade. A instalação centra-se num antigo guarda-vestidos que serve de suporte a dois projetores de slides e microfones que amplificam o som mecânico da passagem das imagens, reforçando a natureza construída da narrativa.
O conteúdo visual consiste numa sequência não cronológica de fotografias de uma mulher não identificada. Através de imagens a preto e branco e a cores, que atravessam décadas e contextos, somos confrontados com a capacidade camaleónica desta figura. Ela assume múltiplas poses e aparências, remetendo para uma vasta iconografia feminina que oscila entre a atriz, a modelo e a pessoa real.
O guarda-vestidos, embora fechado, convoca a imaginação do espectador sobre o que poderá esconder, funcionando como um palco para esta “máscara” identitária. Personagem e Intérprete é, em última análise, um ensaio visual sobre o aforismo de que a vida imita a arte, deixando o observador num estado de incerteza produtiva sobre a verdade do rosto que observa.
Exposições individuais
2000: João Penalva, Galerie im Taxispalais, Innsbruck, Áustria
2002: João Penalva (com Matts Leiderstam), Rooseum – Center for Contemporary Art, Malmö, Suécia
2005: João Penalva, Ludwig Museum – Museum of Contemporary Art, Budapeste, Hungria
2006: João Penalva, Irish Museum of Modern Art (IMMA), Dublin, Irlanda
2010: João Penalva, Luns Konsthall, Lund, Suécia
2026: João Penalva: Personagens e Intérpretes, Culturgest, Lisboa, Portugal
Exposições coletivas
2000: Initiare, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal
2001: 2ª Berlim Biennale, Berlim, Alemanha
2003: Continuare – Trabalhos da Coleção IAC, Bienal da Maia – Maia: Centro Comercial Venepor e Fórum da Maia, Portugal
2004: Eu, Tu, Eles, Centro de Artes e Espetáculos (CAE), Figueira da Foz, Portugal