Esta obra marca um momento de regresso e de rutura na carreira de João Penalva, cruzando a sua memória biográfica como bailarino profissional com a ficção artística. O projeto original pretendia reinterpretar a Dança dos Tamancos (da peça La Fille Mal Gardée), mas a negação dos direitos de autor forçou o artista a reformular o trabalho em torno da questão da autoria e da memória corporal.
A instalação mostra-se como um arquivo deste processo, expondo a exaustiva investigação do artista – incluindo partituras, correspondência sobre os direitos negados e vídeos que mostram a versão original da coreografia e uma leitura de texto –, bem como uma performance de substituição que mostra o artista a executar uma coreografia própria, despida dos adereços e da música originais.
Ao assumir o papel da Viúva Simone (historicamente interpretado por homens), João Penalva explora a alteridade e os limites da representação. A obra transforma um impedimento legal num dispositivo poético, onde o corpo do artista se torna o arquivo de uma dança que ele já não pode possuir, mas que a sua memória muscular teima em recuperar.
Exposições individuais
1999: João Penalva, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal
2010: João Penalva, Lunds Konsthall, Lund, Suécia
2026: João Penalva: Personagens e Intérpretes, Culturgest, Lisboa, Portugal
Exposições coletivas
1996: Cleveland, London, Reino Unido
1996: Bienal de São Paulo 1996, São Paulo, Brasil
1998: La Sphère de l´Intime, Festival du Printemps de Cahors, Cahors, França
2000: Initiare, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal
2003: Continuare – Trabalhos da Coleção IAC, Bienal da Maia – Maia: Centro Comercial Venepor e Fórum da Maia, Portugal
2010: Choreographing You, Hayward Gallery, Londres, Reino Unido
2011: Move: Kunst und Tanz seit den 60ern, Haus der Kunst, München, Alemanha
2011: Move: Kunst und Tanz seit den 60ern, K21 – Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf, Alemanha