Esta obra pertence a uma extensa série que Armando Azevedo realizou nos anos de 1970, onde a moldura é sempre assimilada pela colagem e a pintura se objetualiza. Não existe imagem emoldurada, pois a moldura denunciada pelo seu relevo é parte integrante da própria imagem, ao mesmo tempo que a objetualiza. Aqui, a silhueta das mãos do artista, à escala 1:1, é janela para desenhos a esferográfica. O instrumento com que escreve é o mesmo instrumento com que desenha e/ou pinta formas que se repetem: nuvens, árvores, bolas (de sabão?), envelopes, … céu azul esferográfica… Nas duas mãos, representadas em negativo, encontramos também cartões de computador que sublinham a atualidade da ciência técnica, que o tempo tornou anacrónica. Materiais escolhidos pelo artista, que potenciam um devir constante da obra na relação sempre dinâmica que estabelecem com o espectador. [CAAC 2023]