Lourdes Castro desenvolveu uma produção artística assente num tratamento das potencialidades plásticas, poéticas e reflexivas da sombra, tornando visível o ausente. Sombra de Arália (s.d), é um bom exemplo desta disponibilidade da artista para refletir sobre o ato de dar visibilidade a aspectos menos ou nada considerados, trabalhando na construção de um pensamento sobre o invisível. Interessada por formas de desmaterialização do objecto artístico e pelas ressonâncias poéticas, políticas, espirituais, existenciais desses pressupostos, desenvolveu aturadas pesquisas com sombras projectadas e contornos. Como isso revelando também e fundamentalmente uma maneira de estar no mundo contemplativa e sensível em relação ao espaço físico e humano circundante. Seja à natureza, às sombras de flores e plantas variadas, como à experiência quotidiana e ao universo doméstico. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal
Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, agosto de 2024, cit. p. 8, rep. p. 19, 22, 26, 47.