Álvaro Lapa surge na década de sessenta com uma obra que se enquadra na Nova Figuração portuguesa. Quase sempre narrativa mas não ilustrativa, a sua obra pictórica caracteriza-se pelo desenvolvimento de séries, com possíveis variações que se constroem ao longo do tempo, sendo indissociável da existência de referências artísticas, por exemplo de Robert Motherwell, e literárias, de Arthur Rimbaud, Jack Kerouac, William Burroughs, Céline, entre outros.
Como em muitas obras de Álvaro Lapa, nesta composição — que inicialmente possuía um título mais extenso: Buraco quase lírico, se se interpretar a mancha verde —, salientam-se as cores escuras, em que predomina o negro, mas também os buracos, os vazios, e a adoção de uma linguagem de grande simplicidade e economia de meios, que sendo enigmática, nos desafia a um olhar que transcende paisagens, interiores e exteriores. Artista e escritor, Álvaro Lapa foi professor de Estética na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal
Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, agosto de 2024, cit. p. 13, rep. p. 34, 111.