Nascido em Lourenço Marques (atual Maputo), em 1938, Ângelo de Sousa veio viver para Portugal aos 17 anos e fixou-se no Porto em 1955, onde cursou estudos de pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Com um percurso artístico no domínio da pintura, do desenho, mas também extensível à fotografia e ao vídeo, desenvolveu um núcleo de obras no domínio da escultura. Neste campo disciplinar desenvolveu práticas experimentais com recurso a folha e chapa de aço inoxidável, o alumínio, o termoplástico, o acrílico e a madeira. Com estes materiais explorou ações como a dobragem e o corte, em que tratou questões específicas à linguagem escultórica, como a relação entre o peso e leveza, o cheio e vazio, a estabilidade e desequilíbrio, conferindo também atenção aos valores lumínicos intrínsecos às próprias matérias. Esta obra que tem a particularidade de estar assente no chão, encontrando lugar no mesmo espaço ocupado pelo espectador, evidencia uma elasticidade que não é própria da rigidez da escultura. Realizada com circunferências de tiras flexíveis de aço inox que criam túneis e ondulações, apresentam uma qualidade rítmica, vibrátil e cinética muito forte. [Sandra Vieira Jürgens]