Ana Jotta (Lisboa, 1946), que iniciou o seu percurso artístico no final da década de 70, tem desenvolvido ao longo destes anos uma produção artística que dificilmente pode ser caracterizada tendo em atenção a utilização de uma técnica, de uma determinada linguagem ou da prática de um estilo artístico. Com efeito, a especialização e o conceito de unidade não fazem parte da obra desta artista portuguesa, cuja critividadade e liberdade imaginativa não aceita a existência de um programa e de um estilo a seguir. Na produção do seu trabalho não encontramos um suporte privilegiado e a recorrência de uma actividade especializada: a artista pratica o desenho, a pintura, a colagem, a assemblage, a escultura, a fotografia, a instalação, o som, a escrita, a gruvura, bem como algumas técnicas pertencentes ao campo das artes decorativas, caso do bordado, da costura que contribuem também para acentuar a natureza artesanal e doméstica que por vezes se associa ao seu trabalho. De resto, esta heterogeneidade e multiplicidade verificada na sua ampla produção artística, está igualmente patente no seu método de trabalho, que entre outros planos do fazer, conta com a apropriação de objectos do quotidiano, da descontextualização e subversão de materiais e referências, sejam elas eruditas, da arte moderna ou contemporânea, ou muito simplesmente da cultura popular e do dia-a-dia.
A Coragem de Lassie, é o nome deste tríptico mas também o título da exposição que a artista apresenta na Galeria EMI Valentim de Carvalho, em 1988. Constitui igualmente uma alusão a um filme norte-americano estreado no ano de nascimento da artista. No filme, há um jogo irónico de identidades: Lassie não é “Lassie”, um nome feminino, mas um collie masculino chamado Bill, que é o protagonista deste filme, datado de 1946. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições individuais
1988: A Coragem de Lassie, Galeria EMI Valentim de Carvalho, Lisboa
Exposições coletivas
2023: NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «ALIEN DREAMS» in NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, julho de 2023, cit. p 18, rep. p. 38, 89.