Esta peça tem um lugar particular nas séries de pinturas sobre ecrãs de Ana Jotta. De certa forma, já estaria na latitude conceptual de qualquer das outras séries, já que nelas o ecrã é um objeto que não se limita a ser suporte da pintura e/ou do desenho. Ecrãs que nunca prescindem da sua condição de ecrãs. Sobre eles, a artista pinta e desenha, como quem projeta imagens sobre um suporte. A escolha de ecrãs de projeção reforça essa intencionalidade. Se os encararmos na condição de meta-pintura, os alvos de Jasper Johns terão a potencialidade de enunciar a pintura como sendo ela própria um alvo. Com os seus ecrãs, entre muitas outras coisas, Ana Jotta poderá estar a dizer-nos que a pintura será um ecrã ou, mesmo, será como um ecrã no seu próprio processo de imaginar. Nesta obra, a imagem no ecrã é um ecrã com desenho idêntico ao objeto que a contém. Nesta vertigem de um ecrã dentro de um ecrã, esta poderia ser a derradeira obra de todas as suas séries de ecrãs. Mas certamente não será. Pelo percurso da artista, nada é previsível, na sua voraz e desconcertante relação com as imagens. [CAAC 2023]