artista
Fernando José Pereira
biografia
Porto, Portugal, 1961
título
36º 43´N; 2º 30´W, 1998
obra
36º 43´N; 2º 30´W
inventário
SC 1301
proprietário
CACE - Coleção de Arte Contemporânea do Estado, em comodato no MAC/CCB – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém
categoria
Instalação
técnica
Retroprojeção dupla em formato de ângulo reto, 90º: 2 vídeos, p/b, som, 2´37" (loop)
dimensões
Dimensões variáveis
descrição

Ao longo da sua actividade artística, Fernando José Pereira tem estendido as suas pesquisas a vastas áreas da experiência quotidiana e da cultura moderna e contemporânea, procurando um contacto estreito com o mundo real e a multiplicidade de abordagens que este suscita. Atento às alterações que a cada passo ocorrem na sociedade, é com sentido de actualidade e sob uma perspectiva informada que ele aborda o uso dos novos meios tecnológicos na arte contemporânea. Em 36º43′ N; 2º30′ W (1998), essa vocação reflexiva da sua obra surge uma vez mais destacada. Nesta instalação apresentada pela primeira vez no âmbito da mostra Cyber 98 – a criação na era digital (Centro Cultural de Belém, 1998) o artista ignora as sugestões espectaculares ofertadas pela paisagem mediática contemporânea, e explora um ambiente enigmático e uma intervenção marcada pela contenção de meios para interrogar os mecanismos caucionados pela sociedade de consumo e pela implícita lógica do entertainment. Depois de, em anteriores trabalhos, ter abordado questões relacionadas com os meios artísticos tradicionais, nomeadamente a pintura, dando a ver, numa perspectiva crítica, as condições para a sua prática na época actual (A pintura como actividade post-mortem, 1995) Fernando José Pereira alarga a sua pesquisa ao universo do multimedia e entrevê as reais possibilidades de intervenção do artista neste campo. Referenciados os perigos que a opção tecnológica pode comportar, demonstradas as pressões sobre a consciência individual – a crescente passividade e resignação decorrentes do fenómeno da «sociabilização da sensibilidade» são referidos – fica o problema do sentido que deve presidir à sua utilização. A reiteração do potencial comunicativo dos novos suportes torna mais necessário definir o seu papel no presente da arte, e que contributo podem prestar na criação de novos territórios discursivos. A resposta é clara: o interesse pelo tecnológico, não podendo esgotar-se no factor inovação e na apropriação meramente formalista, deve basear-se na transmissão de conteúdos de elevado alcance reflexivo e no estabelecimento de um diálogo continuado com o espectador, que persista para além do local da exibição. Intenção que surge bem expressa neste trabalho, pois ao lançar as coordenadas do título como enigma dirigido ao espectador espera que este, num futuro próximo, o descodifique, condição para renovar o olhar e prolongar a reflexão sobre a obra. Alheado de modas e de opções formais de superfície, Fernando José Pereira reafirma, assim, as suas preocupações eminentemente éticas e uma postura que vê no exercício artístico uma prática que não se compadece com a manipulação de consensos fáceis. [Sandra Vieira Jürgens]

 

Exposições coletivas
1998: Cyber 98 – a criação na era digital, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal
2000: Initiare, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal