artista
Fernando José Pereira
biografia
Porto, Portugal, 1961
título
A Utopia do Exílio, 1997
obra
A Utopia do Exílio
inventário
SC 1310
proprietário
CACE - Coleção de Arte Contemporânea do Estado, em comodato no MAC/CCB – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém
categoria
Instalação
técnica
3 vídeos, cor, som, 60´(loop) e 6 fotografias
dimensões
225 x 125 cm
descrição

A pertença a uma mesma comunidade e a partilha de uma identidade cultural, étnica e religiosa, são factores que conduzem entidades colectivas a bater-se pela expressão da sua autonomia e a reivindicar a posse de um determinado território. Todavia, seria equívoco não contrabalançar a legitimidade desse direito com a afirmação de uma outra lógica que, demasiadas vezes, lhe surge associada: aquela que, ao longo da história e mesmo hoje, continua a ser defendida, em nome dos valores da pátria e da raça e a ter, por fim, a exclusão, a marginalização de todos aqueles que não prefiguram as características de identificação afirmadas. Tomando por base de análise alguns destes fenómenos, Fernando José Pereira evidencia, na instalação A Utopia do Exílio (1997), os reflexos negativos de qualquer instância ou factor de normalização e situa-nos perante o que é definido como uma “existência controlada”. A obra referencia ainda, em imagem simbólica, os dados de uma experiência circunscrita a um lugar e tempo precisos, sugerindo, através das condições de cativeiro das lampreias, o carácter redutor de uma existência concentraccionária. É ainda neste horizonte de reflexão que surge, no trabalho de Fernando José Pereira, a realidade do exílio, proposta na sua dimensão libertadora. Reinventada como utópico universo de intervenção, ela representa aqui idealmente, não apenas a capacidade de transformar as fronteiras intransponíveis em lugares de passagem, como a possibilidade de estabelecer percursos e, através das deslocações empreendidas, alcançar pontos de observação privilegiados. Como o artista afirma no texto que acompanha o trabalho «o mais apaixonante na condição do exilado é a possibilidade de ver de fora», porque é mediante o necessário jogo das alteridades, no “olhar para dentro como para o outro” que se potencia a responsabilidade crítica de cada um. É, pois, a partir da exploração visual e conceptual de uma rede de correspondências metafóricas que Fernando José Pereira questiona o conformismo a que se submete permanentemente o agir contemporâneo. A sua pesquisa é tanto mais relevante dado vislumbrar, em estratégia crítica, uma alternativa à dinâmica da massificação que se impõe à vivência individual e social neste fim de século. Ao declarar, no seu projecto, a reabilitação de uma interioridade progressivamente descaracterizada e ao afirmar, por intermédio do exílio interior, o voltar-se para si, Fernando José Pereira sustenta, num mundo onde a transnacionalidade, o global e a figura do cidadão cosmopolita se tornam os modelos mais mediáticos, uma cultura da reflexão. [Sandra Vieira Jürgens]

 

Exposições individuais
1998: A Utopia do Exílio, Fundación Luis Seoane, Coruña, Espanha
2025: O Arquipélago que Ressoa: Fernando José Pereira, Centro de Arte Oliva, São João da Madeira, Portugal

Exposições coletivas
2000: Initiare, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal
2002: III Bienal Iberoamericana de Lima, Centro de Artes Visuais de Lima, Lima, Peru