O trabalho de Diana Policarpo está ancorado numa prática interdisciplinar de pensamento sobre os mecanismos sociais e políticos do fazer artístico. A sua produção estética está imbuída de uma praxis que se foca sobre o modo de funcionamento das estruturas de poder das sociedades contemporâneas. A instalação-vídeo Liquid Transfers prossegue uma abordagem da natureza antropológica e económica de certas plantas, realizando analogias e estruturas relacionais com modelos de controle social e político. Liquid Transfers prossegue a mesma linha de pesquisa, iniciada em Death Grip (2019), em que segue o percurso especulativo da exploração do fungo Cordyceps, ou em Nets of Hyphae (2020) em que segue o rasto de outro fungo o Ergot ou Fogo de Santo António, presente frequentemente nos cereais, principalmente o centeio, conhecido pela sua história de misticismo e bruxaria. Nesta instalação, o fungo Ergot é analisado sob o ponto de vista da sua narrativa política e de predomínio militar. Evocando um caso de envenenamento coletivo ocorrido em 1951 em Pont-Saint-Espirit, em 1951, no sul de França, conhecido como “a maldição do pão”, e as teses depois sugeridas de ter sido uma experiência da CIA para estudo de métodos de controle do inimigo, a artista elabora uma narrativa especulativa em que são reveladas as dinâmicas de biopolítica e a sua importância para a normatividade das sociedades contemporâneas. A relevância do tema, a complexidade da investigação e da sua abordagem, bem como a qualidade estética da obra, revelam a sua importância. [CAAC 2024]
Exposições coletivas
2022: Artissima 2022. Lehmann + Silva, Fondazione Sandretto Re Rebaudengo, Turim, Itália
2023: Eleusis, Old Old Mill Factory, Elêusis, Grécia
2025: After Smoke and Mirrors, Centro de Arte Oliva, São João da Madeira, Portugal