O Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, acolhe uma exposição retrospetiva da artista plástica portuguesa Emília Nadal (Lisboa, 1938).
A mostra, intitulada Emília Nadal: espaço, tempo e transcendência – Uma retrospetiva, propõe um olhar abrangente sobre o percurso criativo de Emília Nadal, entre 1957 e 2015. A exposição reúne obras de pintura, desenho e objetos, procurando evidenciar diferentes momentos, transformações e linguagens exploradas ao longo da sua carreira.
A retrospetiva, com curadoria de Sandra Leandro em estreita colaboração com a artista, está organizada em sete núcleos temáticos, entre os quais se destacam Auto-retratos e Slogans. A exposição reúne obras de várias coleções privadas e uma obra pertencente ao acervo da CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado, intitulada O Retrato. Decomposição n.º 2 (1974), doada pela artista em 2021.
A exposição poderá ser visitada no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, até 31 de março de 2026.
A CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado apresenta a exposição Unstable Landscape na Fosun Foundation, em Xangai, entre 8 de novembro e 14 de dezembro de 2025. Com curadoria de Sandra Vieira Jürgens, esta mostra assinala um momento de grande relevância no programa de internacionalização da CACE, levando, pela primeira vez fora do espaço europeu, um núcleo representativo da arte contemporânea portuguesa.
Vista da exposição. Cortesia: Fosun Foundation Shanghai
Sob o tema da paisagem, entendida numa aceção ampliada e interdisciplinar – não apenas como território físico, mas como espaço mental, simbólico e social – a exposição propõe uma reflexão sobre o modo como os artistas portugueses têm reinterpretado o conceito de paisagem ao longo das últimas décadas.
Vista da exposição. Cortesia: Fosun Foundation Shanghai
Através do desenho, da pintura, da escultura e da fotografia, a mostra articula abordagens poéticas, políticas e materiais, revelando a diversidade de olhares e linguagens que compõem o panorama artístico contemporâneo em Portugal.
Vista da exposição. Cortesia: Fosun Foundation Shanghai
Em destaque, a obra Porto (1962), de Maria Helena Vieira da Silva, cedida pela Coleção Millennium bcp, constitui uma referência simbólica central na exposição. A sua presença assinala o 30.º aniversário da geminação entre as cidades do Porto e Xangai, celebrando três décadas de intercâmbio cultural e amizade entre as duas cidades. A escolha desta obra – cuja composição fragmentada e luminosa reinterpreta a geografia urbana como um labirinto sensível – ecoa o próprio espírito da exposição: a ideia de que a paisagem é sempre uma construção instável, feita de perceções, lembranças e afetos.
Vista da exposição. Cortesia: Fosun Foundation Shanghai
O projeto concretiza-se através de uma parceria entre a Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E., o Consulado-Geral de Portugal em Xangai / Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e conta com o apoio da Fundação Millennium bcp, do Turismo de Portugal e da Fidelidade Seguros.
Artistas: Alice dos Reis, AnaMary Bilbao, Ângelo de Sousa, Belén Uriel, Carlos Bunga, Catarina Leitão, Dalila Gonçalves, Daniela Ângelo, Diogo Bolota, Diogo Evangelista, Isabel Madureira Andrade, Joana da Conceição, Joana Escoval, Jorge Pinheiro, Júlio Pomar, Lourdes Castro, Maria José Cavaco, Maria Helena Vieira da Silva, Miguel Ângelo Rocha, Miguel Palma, Paula Rego, Rui Sanches, Sara Mealha, Sónia Almeida, Tito Mouraz.
Inquietação. Liberdade e Democracia é um projeto expositivo com curadoria de Paulo Mendes e Sandra Vieira Jürgens, que assinala as comemorações dos 50 anos da transição democrática em Portugal e Espanha.
Vista da exposição. Cortesia: Maru Serrano_La Casa Encendida, 2025
Depois da sua primeira apresentação em Braga, no âmbito de BRAGA 25 – Capital Portuguesa da Cultura, a exposição chega agora a La Casa Encendida, em Madrid, com obras da coleção da Fundación Montemadrid e da CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado.
Vista da exposição. Cortesia: Maru Serrano_La Casa Encendida, 2025
Esta exposição convida o visitante a assumir o papel de ator da história. Filmes documentais, arquivos fotográficos, cartazes, obras históricas e novas criações artísticas articulam-se em diálogo, permitindo revisitar o período de transição que marcou profundamente as sociedades ibéricas. Uma cartografia cultural, política e afetiva, que celebra a conquista da liberdade e da democracia na Península Ibérica, mas que é também metáfora para os desafios contemporâneos.
Vista da exposição. Cortesia: Maru Serrano_La Casa Encendida, 2025
Mais do que revisitar o passado, este é um projeto que interroga o presente. Num tempo em que a verdade histórica é relativizada, em que discursos populistas e narrativas nacionalistas proliferam, a exposição propõe-se como alerta e reflexão: lembrar o autoritarismo e reafirmar a resiliência política dos povos.
Vista da exposição. Cortesia: Maru Serrano_La Casa Encendida, 2025
Inquietação. Liberdade e Democracia valoriza a diversidade de vozes, gerações e linguagens artísticas, tornando visível a transversalidade estética e histórica dos criadores envolvidos. Ao mesmo tempo, recorda que o estudo da história é sempre um exercício crítico e subjetivo, essencial para que novas gerações em Portugal, em Espanha e na Europa pensem o futuro a partir da memória do passado.
Lista de artistas participantes
Anna Jermolaewa, Antoni Tàpies, António Areal, António Poppe, Antonio Saura, Arlindo Silva, Bárbara Fonte, Catarina Simão, Cristina García Rodero, Cristina Iglesias, Daniel Barroca, Délio Jasse, Eduardo Arroyo, Equipo Crónica, Equipo Realidad, Ernesto de Sousa, Fernando Sánchez Castillo, Filipa César, Francisco Vidal, Harun Farocki, Andrei Ujica, Henrique Ruivo, Hugo Canoilas, Hugo de Almeida Pinho, Inês Leal, Jimmie Durham, Joan Miró, João Abel Manta, João Tabarra, Joaquim Rodrigo, José Feitor, José Luís Neto, Kiluanji Kia Henda, Leonel Moura, Manuel Millares, Manuel Santos Maia, Marcelino Vespeira, Maria Helena Vieira da Silva, Miguel Carneiro, Musa paradisiaca, Nikias Skapinakis, Nikolai Nekh, Nuno Nunes-Ferreira, Patrícia Almeida, Paula Rego, Paulo Catrica, Paulo Mendes, Pedro Cabral Santo, Perejaume, Priscila Fernandes, Rafael Canogar, Rita GT, Santiago Cirugeda, Santiago Sierra & Jorge Galindo, Sara & André, Taller de Diego Velázquez e Tito Mouraz.
Organização
La Casa Encendida / España en Libertad. 50 años
Colaboram
CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado BRAGA 25 – Capital Portuguesa da Cultura
A CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado representa um património coletivo de valor incalculável. Reúne obras de gerações de artistas que marcaram e continuam a marcar a nossa história artística e cultural. É nossa responsabilidade não apenas conservar esse acervo, mas, sobretudo, partilhá-lo com todos os cidadãos, tornando-o vivo, acessível e próximo.
O programa de circulação da CACE, iniciado em 2023, responde a essa missão com clareza: descentralizar, aproximar, criar pontes entre territórios, artistas e comunidades. A CACE não deve ficar circunscrita a um pequeno número de espaços, nem guardada apenas em reservas. Ela deve percorrer o país, dialogar com diferentes realidades, e afirmar-se como bem comum de todos.
Quando iniciámos o novo programa de circulação da CACE, o nosso objetivo era claro: permitir que a Coleção se tornasse visível em todo o território, valorizando a diversidade de museus e centros de arte que existem em Portugal. A exposição Sonho Manifesto!, com curadoria de Rita Gaspar Vieira e Sandra Vieira Jürgens, dá continuidade a esse projeto, mas vai mais além: permite à CACE participar num momento pleno de relevância e consequência — a criação de um novo centro cultural, o Centro de Artes Villa Portela.
Fruto de uma parceria entre a Museus e Monumentos de Portugal e a Câmara Municipal de Leiria, esta é uma colaboração que mostra como, unindo esforços e vontades, conseguimos transformar o património em plataforma de criação e partilha, em benefício das comunidades locais e do público nacional.
Sonho Manifesto! apresenta mais de vinte obras da CACE, de artistas como Maria Helena Vieira da Silva, Ângelo de Sousa, Ana Vieira, Ana Hatherly, Álvaro Lapa, Francisco Tropa ou Projeto Teatral. Estas obras são apresentadas em diálogo com criações inéditas dos artistas Sandra Cinto (Brasil), Tiago Baptista e Gabriela Albergaria (Portugal).
O Centro de Artes Villa Portela, instalado numa casa de finais do século XIX alvo de obras de reabilitação, conservação e restauro, disponibiliza ao público áreas expositivas, biblioteca, sala de leitura e cafetaria, assumindo-se como um novo polo de criação e fruição artística em Leiria.
A 31 de maio foi inaugurada, na Fundação Eugénio de Almeida, a exposição Mapeando o que não se vê. Com curadoria de Claudia Segura e Luiza Teixeira de Freitas, a mostra parte da obra Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, como ponto de partida para uma reflexão em torno da relação entre espaço, memória e imaginação.
Integrando um conjunto de obras de reconhecidos artistas nacionais e internacionais, a exposição apresenta oito peças pertencentes ao acervo da CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado, dos artistas Francis Alÿs, Ignasi Aballí, Jimmie Durham e Wolfgang Tillmans. Cada uma das obras propõe uma leitura subjetiva do território, funcionando como uma cidade imaginada que aborda temáticas como a ficção, a pertença e os vínculos afetivos que unem o indivíduo aos espaços que habita.
Fotografia: Carbonara.st
Inspirada pela sensibilidade poética de autores como Calvino e María Zambrano, Mapeando o que não se vê convida o público a uma imersão em paisagens interiores, onde a imaginação e a memória se tornam ferramentas de interpretação do mundo. Através de suportes como pintura, escultura, instalação e vídeo, a exposição constitui-se como um território de encontro entre diferentes subjetividades e geografias emocionais.
Fotografia: André Cruz
A mostra permanecerá patente até 1 de fevereiro de 2026, na Fundação Eugénio de Almeida, em Évora
No passado dia 26 de Julho, no Museu Municipal de Tavira / Palácio da Galeria, teve lugar a apresentação do catálogo da exposição Chuva de Verão: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Esta iniciativa contou com uma visita guiada realizada pelos curadores e com a organização de uma mesa-redonda dedicada ao tema A Cultura, A Sul: O que descobrimos na arte contemporânea, uma reflexão sobre o papel da cultura e da arte contemporânea no Algarve, estratégias para atrair novos públicos e a presença das práticas artísticas nos museus e universidades.
A sessão contou com a participação de Fernando J. Ribeiro (Curador), Pedro Cabral Santo (FCSH, Universidade do Algarve), Daniel Santana (Museu Municipal de Tavira), Sandra Vieira Jürgens (Curadora da CACE), João Gonçalves (representante da Imprensa Nacional-Casa da Moeda) e a Presidente da Câmara Municipal de Tavira, Ana Paula Martins, que nos deu a honra de encerrar o evento.
O catálogo Chuva de Verão, publicado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), documenta a exposição que integra uma importante seleção de obras da arte contemporânea portuguesa e internacional, constituindo uma referência para investigadores, estudantes e público em geral.
Patente entre 5 de abril e 18 de outubro de 2025, a exposição Chuva de Verão apresenta um conjunto representativo de 25 artistas e obras adquiridas recentemente no âmbito do programa anual de aquisição de arte contemporânea do Estado. É o resultado de uma parceria entre a Museus e Monumentos de Portugal e a Câmara Municipal de Tavira.
Esta mostra dá continuidade ao programa de circulação da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) pelo território nacional, que já passou por Foz Côa, Castelo Branco, Beja, Aveiro, Elvas, Coimbra, e Leiria.
ARTISTAS EM EXPOSIÇÃO:
Ana Cardoso, Ana Jotta, Ana Manso, António Palolo, Bruno Cidra, Carlos Lobo, Francisca Carvalho, Hernâni Reis Baptista, Inês Zenha, Jimmie Durham, João Ferro Martins, Joaquim Bravo, José Manuel Rodrigues, José Pedro Croft, Júlia Ventura, Lourdes Castro, Maria Lino, Patrícia Almeida, Paula Rego, Pedro Valdez Cardoso, Ricardo Valentim, Rigo 23, Sara Bichão, Sara Chang Yan, Vera Mota.
Partindo de uma seleção de obras da CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a exposição SOMBRA DUPLA reflete sobre a dualidade entre o individual e o social, o privado e o público, mas também sobre a exposição social e a intimidade, explorando, a partir dessas aparentes contradições, a densidade das memórias e das vivências que residem num determinado lugar em contraponto com a superficialidade das sociedades contemporâneas e das plataformas digitais que são delas parte indissociável.
A exposição SOMBRA DUPLA reúne obras que exploram atmosferas de recolhimento e intimidade, nas quais a presença humana se manifesta por meio da ausência, da dissolução ou do gesto contemplativo. Ao mesmo tempo, propõe espaços de celebração e de extrapolação, onde o corpo se revela impulsionado por um desejo de escape ou por uma apatia latente.
Cada uma das obras aqui reunidas estabelece elos de proximidade e de tensão entre si. Com efeito, mostram espaços comuns e bem definidos, mas também atmosferas íntimas e abstratas. Para estes lugares convergem, com maior ou menor definição, diferentes identidades e narrativas.
Ao assinar a curadoria desta exposição, a CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado congratula-se por estreitar relações com uma das entidades que tem à sua guarda um depósito significativo de obras do seu acervo, o Centro de Arte Contemporânea de Coimbra.
A exposição vai estar patente ao público até 12 de outubro, com o seguinte horário: terça a sexta-feira, das 10h00 às 18h00; aos sábados e aos domingos, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, encerrando aos feriados.
No passado dia 5 de abril foi inaugurada a exposição “Olho por Olho Lente por Lente”, dos artistas João Paulo Feliciano e Miguel Palma, no Museu Leopoldo de Almeida, no Centro de Artes das Caldas da Rainha.
Créditos fotográficos: Luís Antunes
De entre o conjunto de obras selecionadas para participar na exposição está UM PAR DE PAIR.IES., de 2012, proposta pelo programa anual da Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea de 2024 e integrante hoje da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. A obra é uma instalação composta por dois órgãos eletromagnéticos idênticos e um espelho.
Nesta exposição, é possível conhecer a produção mais recente do artista Miguel Palma e, no caso de João Paulo Feliciano, revisitar obras de 1993 a 2015. Pertencentes à geração de artistas que emergiu nos anos 1980, têm trilhado percursos distintos, mas com afinidades visíveis, tanto na expressão formal como nas ideias que atravessam as suas obras. Com quatro décadas de atividade, ambos acumulam uma vasta produção artística. Miguel Palma tem-se dedicado exclusivamente à arte, enquanto João Paulo Feliciano construiu um percurso híbrido, repartindo a sua criatividade também pela música, pelo design e pela arquitetura.
Esta exposição pode ser visitada até dia 2 de junho.
No passado dia 29 de março foi inaugurada a exposição “Manual Orgânico”, da artista Helena Lapas, no CAV – Centro de Artes Visuais. Com curadoria de Miguel von Hafe Pérez, a mostra pode ser visitada até dia 15 de junho.
“Manual Orgânico” pretende dar a conhecer uma visão alargada do trabalho da artista Helena Lapas, com obras desde o final dos anos de 1960 até ao presente. Nesta mostra são expostas uma série de diferentes materialidades, incluindo tapeçaria, desenho e escultura.
De entre o conjunto de obras selecionadas para integrar a exposição está A Semente, de 1967, obra proposta pelo programa anual da Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea de 2023 e que integra hoje a Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Esta obra esteve presente na primeira exposição individual da artista na Galeria do Diário de Notícias, em 1968.
A obra A Semente (1967), de Helena Lapas, é um bordado têxtil de forte carga simbólica e estética, onde uma estrutura central simétrica revela formas orgânicas, que se destacam sobre um fundo azul-escuro texturado. Com uma paleta de verdes, lilases, rosas e vermelhos, a peça sugere uma árvore da vida ou um organismo em transformação, explorando temas como o crescimento e a fertilidade. Aliando rigor técnico, Helena Lapas cria uma composição que funciona como metáfora visual da criação.
Esta exposição pode ser visitada até dia 15 de junho.
A exposição PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência, atualmente patente no Museu Nacional de Etnologia, conta com um programa público de visitas orientadas e conversas com artistas e curadores. Veja o programa abaixo.
A obra Ntimbe Caetano (2016) decorre de uma pesquisa aprofundada sobre a história da independência e luta anticoloniais moçambicanas e desenvolve-se a partir de material encontrado nos arquivos da história política da Frente de Libertação de Moçambique. O título do trabalho cita o título de uma canção do grupo étnico maconde («Vamos esmagar Caetano»), a qual fez parte do processo de engajamento desta comunidade contra os atos de terror praticados pelo regime fascista português, envolvendo denúncias e execuções aleatórias. O escultor makonde, Ntaluma, nascido numa base da Frelimo, nas Zonas Libertadas, é o protagonista desta rememoração macabra que acompanha o seu trabalho escultórico. No vídeo Effects of Wording (2014), a artista joga com a ideia de arquivo, a sua função e promessa de fixação da verdade, realçando as leituras históricas por vir e a possibilidade de infidelidade, isto é, quando uma simples troca de palavras pode deturpar o sentido, supostamente, verdadeiro.
Catarina Simão (Portugal, 1972) é uma artista e investigadora que vive e trabalha entre Maputo e Lisboa. A sua prática baseia-se em projetos de investigação a longo prazo que implicam parcerias colaborativas e diferentes formas de apresentação ao público. Desde 2009 que a artista tem trabalhado com a noção de Arquivo, envolvendo-se especialmente com a história anti-colonial e da Independência de Moçambique. Fortemente influenciada pelas narrativas da história, Simão aborda criticamente a contrapartida da custódia do registo, os seus significados mutáveis e a sua capacidade de incorporar um conhecimento diferido. Trabalha principalmente com filme e vídeo em instalação, mas também utiliza outros elementos figurativos como a fotografia, livros didácticos, desenho e som.
João Sousa Cardoso (1977). Doutorado em Ciências Sociais, pela Universidade Paris Descartes (Sorbonne). Docente na Universidade Lusófona. Comissariou, em 2000, o projecto multidisciplinar “Arritmia – As inibições e os prolongamentos do Humano”, no Porto. Comissariou “Os Dias de Janus – Perspectivas sobre a passagem do cinema ao vídeo em Portugal”, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em 2006. Tem desenvolvido, desde 2001, projetos no cruzamento da estética com as ciências sociais. Apresentou “Cinema Mudo” no Auditório de Serralves, no Porto, em 2006. Apresentou o filme “2 2”, no Jeu de Paume, em Paris, em 2008. Artista em residência na Fondazione Pistoletto (Biella, Itália), em 2002. Artista em residência de Expédition – Plateforme Européenne d’Échanges Artistiques, a convite dos Laboratoires d’Aubervilliers, nas cidades de Amesterdão, Viena e Paris, entre 2007 e 2008. Escreve regularmente crítica e ensaio para várias publicações, tendo colaborado regularmente com a revista de artes plásticas Arte Ibérica (Lisboa), entre 2000 e 2001, o Teatro Nacional de São João (Porto), desde 2002 e, recentemente, com o Jornal Público.
EVENTOS JÁ REALIZADOS
22 ABRIL
17:00 | Visita orientada à exposição pela curadora Sandra Vieira Jürgens
18:00 | Conversa com Manuel Santos Maia e Liliana Coutinho
Partindo da obra Alheava_film (2006-2007), que integra a exposição, iremos conversar sobre o projeto Alheava que Manuel Santos Maia tem vindo a desenvolver desde 1999. Através da sua própria história familiar, o artista tem procurado refletir sobre as memórias pessoas e coletivas dos portugueses relativamente ao passado colonial e pós-colonial em África.
Manuel Santos Maia (Nampula, Moçambique, 1970) vive e trabalha no Porto. A sua prática artística está intimamente associada à busca da sua identidade, à memória e história familiar e coletiva da colonização portuguesa em Moçambique. Desde 1999 que Manuel Santos Maia revisita, no seu projeto Alheava, através das narrativas visuais da história íntima e doméstica, as problemáticas do colonialismo e do pós-colonialismo na construção da cultura contemporânea portuguesa.
Liliana Coutinho é programadora de Debates e Conferências da Culturgest, em Lisboa. Doutora em Estética e Ciências da Arte pela Université Paris, é investigadora do I.H.C. – FCSH/UNL e do Institut A.C.T.E – Université Paris. É Professora convidada na Pós-Graduação em Curadoria de Arte, da NOVA FCSH. Foi responsável pelo Serviço Educativo do Museu de Serralves. Como investigadora e curadora, colaborou com o Teatro Municipal Maria de Matos, Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian, Museu de Serralves, Plateau (Paris), Artistas Unidos e Atelier Re.AI.
17 MAIO
17:00 | Visita orientada à exposição pela curadora Sandra Vieira Jürgens
18:00 | Conversa com Luciana Fina e Emília Tavares
Partindo do microcosmos do seu prédio, no Bairro das Colónias, em Lisboa, Luciana Fina realiza um trabalho sobre a importância da linguagem para a defesa da identidade, no interior de uma família oriunda da Guiné-Bissau. Duas gerações, mãe e filha, dialogam sobre a importância do amor e da felicidade, enquanto questionam qual o sentido cultural da linguagem na comunicação das memórias e de que forma se pode resistir à sua aculturação. Terceiro Andar constitui um importante contributo para a reflexão sobre a construção da identidade no contexto pós-colonial português.
Luciana Fina nasceu em Bari (Itália) em 1962 e vive e trabalha em Lisboa. Após a formação universitária em literatura portuguesa e francesa, dedicou-se inicialmente à programação cultural em Itália. Durante vários anos, foi programadora independente na área do cinema, colaborando principalmente com a Cinemateca Portuguesa e outras instituições em Portugal, Itália, França e Brasil. Em 1998, realizou o seu primeiro filme documentário. Utilizando diversos media, a sua prática artística gira em torno dos temas do nomadismo e do interculturalismo e na pesquisa sobre a relação do cinema com outras artes.
Emília Tavares (Lisboa, 1964) é curadora e investigadora. Mestre em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É curadora do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Lisboa, responsável pela coleção de Fotografia e Novos Media. É também investigadora [História da Fotografia Portuguesa, Fotografia e Questões Sociais e Políticas] e crítica de arte. Docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e na Escola das Artes da Universidade Católica do Porto, nas disciplinas de curadoria e história da fotografia. Como curadora realizou várias exposições de fotografia portuguesa e arte contemporânea. Tem publicado regularmente os seus textos em jornais, revistas e catálogos, e é autora de várias palestras em instituições públicas de arte e ensino.