artista
Miguel Palma
biografia
Lisboa, Portugal, 1964
título
Carbono 14, 1994
obra
Carbono 14
inventário
SC 1295
proprietário
CACE - Coleção de Arte Contemporânea do Estado, em comodato no MAC/CCB – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém
categoria
Instalação
técnica
Ferro, vidro, alumínio, areia, terra, esferas de argila expandida, madeira e MDF, tubos de PVC, mecanismos diversos e um motor
dimensões
235,5 x 201,7 x 301,7 cm
descrição

Em Carbono 14 (1994), Miguel Palma sobrepõe numa caixa-vitrine de grandes dimensões vários estratos de terra e diferentes miniaturas, assim construindo uma realidade arqueológica que pode ser observada pelo espectador. Não obstante a evidente tridimensionalidade da sua peça escultórica diríamos que na sua qualidade gráfica ela se assemelha a um registo de estratigrafia. As faces do expositor estão visualmente próximas das secções transversais dos desenhos arqueológicos, sendo possível através delas analisar ao pormenor a ordem de formação e a composição física dessas várias sequências. Depostos entre as diferentes camadas, estruturas arquitetónicas e vestígios de sistemas de saneamento básico fazem a sua aparição, à mistura com alguns veículos automóveis. Elementos que funcionam como sinais do século XX, vestígios do presente que Miguel Palma investe de uma dimensão arqueológica. Um tal processo, a remeter idealmente o presente para o passado, denota um fascínio do tempo e dos seus efeitos que é recorrente na obra do autor, e que dá continuidade a algumas das suas pesquisas realizadas ao longo da década de 90. A este título refira-se o projecto Cemiterra-Geraterra (1991-2000), concluído no presente ano quando Miguel Palma resgatou no jardim da Fundação Calouste Gulbenkian um paralelepípedo enterrado dez anos antes, que guardava no interior um globo terrestre. Aqui como em Carbono 14, mais do que constatar o processo de decomposição física dos materiais trata-se de explorar simbolicamente a ideia e a percepção do curso do tempo. A imagem do globo terrestre enterrado convoca, entre várias ideias inquietantes, a de uma hibernação do mundo. Por sua vez o desenterramento do conjunto estimula uma interrogação quanto ao seu futuro. Em Carbono 14 a dimensão futura é também aflorada. Na superfície, o arado que remexe a terra fértil parece marcar uma referência à futura ocupação do espaço. Faz-nos pensar no seu uso para a exploração agrícola, facto que certamente contraria a tendência de urbanização na sociedade actual e que entreabre perspectivas de reflexão. As pistas de Miguel Palma funcionam como visualizações de possibilidades que o tempo e o seu registo histórico poderiam, na sua progressão, considerar. Assim, quer se trate de um passado remoto que tenha engolido o presente, ou de um futuro que os rumos da atualidade vão tornando improvável, as camadas de tempo que o autor selecciona e expõe são visões, fragmentos virtuais de uma História pessoal e coletiva a descobrir. [Sandra Vieira Jürgens]

 

Exposições individuais
2007: O Mundo às Avessas, Culturgest, Lisboa, Portugal
2019: Miguel Palma. (Ainda) O Desconforto Moderno, Museu Coleção Berardo, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal

Exposições coletivas
1998: Côte Sud…Entschuldigung, Institut d´Art Contemporain, Villeurbanne, França
2000: Initiare, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal